Faltando apenas dois dias para o dia das mães, quatro sorridentes mulheres lotam a pequena sala de espera da UTI Neo natal do hospital. Elas riem e conversam entre si, unidas como uma família. São fisicamente diferentes, mas tem muito em comum. A começar pelos filhos e filhas na sala ao lado, bebês que ainda não estão prontos para deixar a maternidade, e precisam de cuidados especiais. Mas se assemelham também na força, que cresce em seus olhos, e na esperança do dia em que enfim poderão levar seus bebês saudáveis para casa.
Mas entre elas, Nelzi se destaca de longe, com um sorriso enorme estampando sua felicidade, e um olhar firme, da certeza de que em breve poderá mimar seu amado Vitor Leonel como sempre sonhou.
Mas quem vê Nelzi assim, feliz e confiante, não imagina nem de longe sua batalha para ser mãe. Sem sucesso, ela vem tentando realizar esse sonho há cinco anos, perdeu três bebês, todos da mesma inexplicável forma no quinto mês de gestação.
Na gestação de Vitor, não foi diferente, entrou em trabalho de parto na vigésima terceira semana, e foi tomada pelo fantasma das lembranças – “Senti uma anguústia muito grande. Eu já sabia o que ia acontecer. Tive medo que desse tudo errado novamente.”
Vitor nasceu com 640 gramas e 30 centímetros, um dos menores prematuros do Brasil, e apesar de ter nascido com vida, os médicos deram a ele 6% de chances de sobreviver. Mas Nelzi amava o filho mais do que acreditava em estatísticas, e suplicou a Deus a seus médicos para que salvassem o bebê.
“Eu disse aos médicos que ele seria um milagre. Um milagre na minha vida e um milagre da medicina.” – as palavras de Nelzi soam fortes e convictas, com alguém que tem certeza absoluta do que diz. E ela provavelmente tem.
Há quatro meses Vitor Leonel luta contra a baixa expectativa de vida que lhe foi dada, tendo como companheiros de batalha os especialistas que desde 15 de janeiro, fazem de tudo para mantê-lo bem e estável, e sempre ao seu lado, a mãe e o pai, que não passam um dia sem ver o filho e ter a certeza de que um dia, muito em breve, terão o seu “felizes para sempre”.
“As pessoas me perguntam como eu tenho forças para vir até aqui todos os dias. Eu podia voltar para casa e chorar, mas quando eu chego em casa me sinto feliz, porque eu sei que tenho um motivo para voltar amanha. Eu tenho o Vitor Leonel me esperando aqui.”
Nelzi, assim como outras mães do Santa Luíza passou os seu dia das mães no hospital, mas isso não impediu que esse fosse para ela um momento muito especial e importante – “Posso dizer que esse é um momento muito feliz na minha vida, porque é o meu sonho, passar um dia das mães como mãe, com o meu filho no meu colo. Esse dia vai ser muito emocionante.”

“Meu nome é Vitor Leonel Bittencourt. Nasci dia 15/01/2011, no Hospital e Maternidade Santa Luíza, com 640 g e 30 cm. Minha mamãe é Nelzi N. I. Bittencourt e meu papai é Osni J. Bittencourt. E quem me trouxe ao mundo foi a obstetra Dra Eloisa R. M. Gularte.”